CRÔNICA DO BEM COMUM
Roberty Lauar

Merda

Merda, expressão utilizada para desejar boa sorte aos artistas do teatro. Teatro, conjunto de obras dramáticas de um autor ou de uma época, também o lugar em que ocorrem certos fatos. Teatral, é relativo a teatro, o que provoca efeitos para impressionar, como gestos teatrais, falas teatrais, atitudes teatrais. Por fim, teatrólogo é o escritor de peças teatrais. Portanto, para esses, caro leitor, merda... merda...merda... mil vezes merda! Minha crônica hoje é direcionada aos gestores públicos. Nossa cidade tem sido vilipendiada e maltratada há anos, o que se caracterizou como afronta ao bom senso e ao juízo, pois juízo é o que se espera daqueles que administram cidades com gente dentro. Aliás, juízo e canja de galinha não fazem mal a ninguém, muito menos para gestores temporários, não é mesmo! O gestor é encarregado da administração de um projeto ou tarefa “temporariamente” é bom que se diga. O voto favorável não pressupõe cheque em branco, muito menos um papel assinado em branco. Muitos políticos, do alto de sua prepotência acham que, ao se elegerem tenham recebido carta branca do eleitor. Ledo engano. Com certeza, atrás da trincheira da civilidade e do amor à sua terra, encontram-se obstinados, cabeçudos e teimosos, com aguçado senso crítico e prontos para reconhecerem desvio de rota, leniência, desídia (não é mesmo Dr. Bruce?) e produção de peça teatral amadora. Já temos peças teatrais surrealistas ou do teatro do absurdo (Augusto Boal) em profusão aqui nesta terra. Chega de teatralidade. Queremos realidade construtiva, alvissareira e que garanta o futuro de nossa terra e as aspirações de nossa gente. O tema que desponta como de grande importância no momento, que deve ser tratado com seriedade e que precisará de acompanhamento “técnico, estratégico e político” é transformar Lagoa Santa, pátria da arqueologia, em centro turístico internacional, oferecendo ao turista, dentre outras coisas: carst, dolinas, grutas, cavernas, sumidouros, pinturas rupestres, cerrado exuberante, lapas, história, pré-história, etc.etc. Para tanto é necessário construir prédios adequados para exposição de material arqueológico, de preferência vindo da Dinamarca, contendo a impressão digital do nosso querido Dr. Lund. Necessário também será, construir um receptivo turístico para divulgar e difundir sobre a raça de Lagoa Santa, Luzia, Animais extintos da Mega Fauna, etc.etc. Necessário e urgente também será implantar nas escolas locais a cadeira “História e pré-história local”. Certamente não se deve esquecer do cartão postal da cidade, a lagoa central, cárstica, área de preservação permanente (APP), tão judiada e criminosamente abandonada ao longo dos anos, hoje agonizante, quase à morte. É preciso projeto honesto para sua recuperação, sem teatro. Urgente também será adequar o plano diretor da cidade às necessidades de proteção à unidade de conservação, o Parque Estadual do Sumidouro e seu entorno. Existem brechas comprometedoras no zoneamento do plano diretor em relação a áreas adjacentes ao parque. Acredito na boa intenção daqueles que irão administrar nossa cidade nos próximos quatro anos, mas, por favor, aceitem de fato o papel de protagonistas de uma bela história, rejeitem o papel de canastrão, muito menos, permitam maus atores atuando por aqui. Escrevam a peça definitiva, que ficará para a posteridade e elevará definitivamente o nome de nossa cidade a todos os cantos do mundo. Desejo sinceramente aos autores, atores, protagonistas e coadjuvantes desta peça, muita merda assim como para todos nós simples expectadores. Merda... Merda... Merda!...
email: terradelund.lauar@hotmail.com

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